Sete grupos, uma só batida: a noite em que o marabaixo faz o Matapi amanhecer

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A noite de 17 de outubro é, talvez, a mais vibrante da festividade de São Francisco de Assis na Comunidade Quilombola São Francisco do Matapi. A programação começa com o momento espiritual: a ladainha, rezada em clima de devoção, coloca São Francisco no centro da celebração. Em seguida, o jantar é servido a partir das 19h. Carnes preparadas com cuidado, acompanhadas de legumes, frutos regionais e pratos típicos, enchem as mesas. O alimento, mais uma vez, cumpre o papel de unir, fortalecer e aquecer.

Quando a noite avança, é a vez dos tambores. O Grupo Tia Sinhá, dono da casa, abre a noite cultural conduzindo a imagem de São Francisco em um andor. O gesto é de acolhimento: o santo entra, a festa se consagra. Em torno da imagem e da oração, se dispõem os demais grupos de marabaixo e batuque: Coração Santo Antônio e São Benedito, Ariri, Pavão, Ilha Redonda, Santa Luzia do Maruanum e Torrão do Matapi. Cada grupo traz sua história, seu ritmo, sua devoção, mas todos se encontram na mesma roda, em uma grande teia simbólica de fé e resistência afro-amapaense.

Das 22h às 6h da manhã, a programação segue ininterrupta. A gengibirra preparada no dia 15 entra em cena, servida aos brincantes como símbolo de energia e confraternização. Mesas oferecem sucos tropicais, refrigerantes artesanais, cervejas e drinks à base de frutas, além de tira-gostos que vão de petiscos fritos a frutas frescas. O “paredão” de som ilumina o espaço com luzes coloridas, enquanto as caixas do marabaixo marcam o compasso da tradição. A noite cultural se torna o ponto máximo da convivência comunitária: fé, dança, música e sabores se misturam até o amanhecer.