Quando o palco se ergue: o dia em que o Matapi prepara sua voz para cantar
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O dia 16 de outubro é de expectativa na Comunidade Quilombola São Francisco do Matapi. Depois do mutirão na roça e da produção de farinha e gengibirra, chega a hora de preparar o cenário da noite cultural. A partir da estrutura da aparelhagem iniciada no dia anterior, o palco principal começa a ganhar forma. Postes são erguidos, cabos são organizados, luzes são testadas. Aos poucos, aquele espaço que durante o dia abriga reuniões, jogos e encontros se transforma no coração artístico da festividade.
A montagem do palco não é apenas uma questão técnica: é um gesto simbólico. É ali que grupos de marabaixo e batuque vão ecoar suas caixas e tambores; é ali que a cantora regional vai conduzir o baile; é ali que a comunidade, que durante o ano inteiro trabalha na roça, na pesca e no artesanato, vai ocupar o lugar de protagonista cultural. Cada refletores instalado, cada pano de fundo estendido, cada aparência do telão reforça a ideia de que a cultura quilombola merece ser vista e valorizada.
Enquanto alguns se dedicam à parte elétrica e estrutural, outros cuidam da ornamentação. A entrada do evento vai ganhando banners, cores amazônicas, imagens de São Francisco e símbolos da comunidade. O Cantinho do Marabaixo Tia Sinhá também é preparado: flores, tecidos, saias coloridas, painéis com silhuetas de dançarinos e tambores. Ao final do dia, o Matapi está pronto para ser palco de si mesmo. O dia 16 se encerra com a sensação de que a festa “ganhou corpo” e que a voz da comunidade encontrará seu espaço na noite seguinte.
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