Mandioca, pirapitinga e gengibirra: o 15 de outubro que alimenta corpo e alma no Matapi

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No dia 15 de outubro, a Comunidade Quilombola São Francisco do Matapi volta seu olhar para o chão e para a roça. É o Dia da Agricultura Familiar, momento em que a mandioca assume o papel de protagonista. Em um ambiente simples e acolhedor, moradores se reúnem para o mutirão: lavagem da raiz, ralagem, uso do motor a gasolina, prensa no tipiti para retirar o tucupi, peneiração na tala de buriti, torração manual. A casa de farinha se torna o centro das atenções, pulsando no ritmo dos braços que mexem a massa e do fogo que transforma a raiz em farinha.

Cada etapa carrega uma história. A peneira, feita de buriti, guarda o conhecimento de quem aprendeu com os mais velhos; o tipiti, estendido e apertado, é símbolo da engenhosidade amazônica; a torração, 100% manual, exige paciência e cuidado, revelando que tradição também é disciplina. Ao lado da farinha, a retirada da pirapitinga do viveiro mostra que a subsistência não vem apenas da terra, mas também da água. A pesca artesanal é tratada como gesto de respeito ao rio e à vida que ele sustenta.

Aproveitando a mão de obra reunida, a comunidade inicia também o preparo da gengibirra, bebida icônica das noites culturais. Gengibre ralado, açúcar, água e outros ingredientes locais se encontram numa receita ancestral. O gesto de ralar o gengibre, misturar, provar e engarrafar não é apenas culinária: é ritual. Ao final do dia, a farinha está pronta, o peixe preparado e a gengibirra descansando nas garrafas. Um almoço comunitário sela o esforço coletivo, transformando o trabalho rural em festa. No Matapi, a agricultura familiar é mais do que economia: é espiritualidade, cultura e identidade posta à mesa.