Levantação do mastro no Matapi: quando a comunidade ergue sua fé ao céu
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5/8/20241 min read


No dia 3 de outubro, a Comunidade Quilombola São Francisco do Matapi vive um de seus ritos mais simbólicos: a levantação do mastro em honra a São João Batista e São Francisco de Assis. Logo cedo, o tronco já está pronto, cuidadosamente selecionado e preparado. Em torno dele, mãos dedicadas se encarregam dos detalhes: folhagens verdes, flores coloridas, fitas, frutas e, no alto, a bandeira dos santos padroeiros, fixada em um pequeno suporte de madeira. Cada elemento carrega um significado próprio, mas todos se encontram no mesmo gesto de devoção.
Quando chega o momento de erguer o mastro, ninguém fica indiferente. Homens e mulheres se posicionam, cada um segurando uma parte da estrutura. O esforço é coletivo, acompanhado por olhares atentos, orações silenciosas e, muitas vezes, cânticos que ajudam a marcar o ritmo. O mastro sobe devagar, vencendo o peso da madeira e a força da gravidade, até finalmente se firmar no chão, apontando para o céu. O aplauso espontâneo que se segue não celebra apenas o fim de uma tarefa difícil: marca a certeza de que a festa começou.
Esse ritual, repetido geração após geração, é um fio que liga o presente ao passado. A cada ano, novas crianças acompanham a cena, aprendendo que ali não se ergue apenas um mastro, mas toda uma história de fé, luta e resistência quilombola. A levantação do mastro, como diz o próprio relatório da comunidade, é a ponte entre o sagrado e o terreno: um gesto simples, mas carregado de memória e significado, que prepara o Matapi para viver intensamente o dia de São Francisco de Assis.
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